Sereia em Navegantes em abril de 2013

http://revistapausa.blogspot.com.br/2013/04/editoras-cartoneras-conteineres-e-chuva.html

Alessandro Atanes, para o Porto Literário

Estive entre 9 e 13 de abril em Navegantes, Santa Catarina, cidade que divide terminais do porto de Itajaí com a cidade vizinha. Junto com o poeta e editor Ademir Demarchi, criador da editora artesanal Sereia Ca(n)tadora, e a jornalista Ana D’Angelo, da editora Dulcineia Catadora, fui convidado para falar sobre a experiência das editoras cartoneras, em que livros são feitos com capas de papelão (cartón é papelão em espanhol) tirado das ruas por catadores ou pelos próprios escritores.

Participamos da programação do Contém Leitura, série de atividades que começou em 12 de março e foi até 19 de abril com palestras, debates, rodas de leitura e contação de histórias. O Contém Leitura faz parte do Contém Cultura, do Instituto Caracol, espaço cultural composto pela Sala de Leitura Vicente Cechelero, Cine Clube Divineia, Galeria Caracol e um espaço de leitura e convivência, além de oficinas artísticas e a oficina da editora cartonera Dengo-Dengo. A pessoa à frente dessa empreitada cultural é o poeta Cristiano Moreira.

Os nomes Contém Leitura e Contém Cultura são referências diretas aos contêineres do porto que une as duas cidades. Além de mercadorias, a ideia é que ele transporte também cultura. Tudo isso é concretizado em um contêiner móvel que, após Navegantes, tem circulado por cidades da região, levando artistas, filmes e oficinas para crianças e jovens desses municípios. Deu muita inveja que um projeto dessa dimensão e simbolismo não ocorresse em Santos, onde nos orgulhamos de ter o maior porto do Brasil e superlativos semelhantes.

Literatura e enchentes
Além do porto, outra semelhança entre estas duas esquinas do mundo é a chuva que costuma causar estragos.

Queria aqui dividir a descoberta de, para mim, um novo autor, Daniel Rosa dos Santos, que, em seu primeiro livro, Quando cai um rio do céu, de 2011, mostra o desastre da enchente como estopim para a sordidez e o egoísmo, como em Folguinha:

Vou esperar um mês, se não der com as caras, arrumo outra e fico com o som e a TV pra mim – as roupas e os CDs da Alanis eu jogo fora, ou melhor, queimo para exorcizar. Será que o escritório volta a funcionar hoje? Gostei desse negócio de enchente, ganhei uns dias de folga e a mulher foi com a enxurrada. Só me dói o corte no cocoruto.

Ou Empreendedor:

Pegou de dúzia os sacolões e sacos cheios de roupa, mas não conseguiu montar o brechó nem o mercadinho porque o terreno desceu com a casa ladeira abaixo. Foi preso quando passava a mercadoria adiantes.

O livro é editado pela editora Papa Terra, coordenada também pelo Cristiano Moreira, autor do prefácio do livro. Os leitores do Porto Literário conhecem a Papa Terra desde fevereiro de 2012, quando apresentei o livroApartados, do chileno Rodrigo Naranjo, em edição bilíngue com tradução do próprio Cristiano.

Referência
Daniel Rosa dos Santos. Quando cai um rio do céu. Navegantes (SC): Papa Terra, 2011.

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Poesia da América Latina e as editoras cartoneras no Sesc Santos em 16/8/2012

http://revistapausa.blogspot.com.br/2012/08/poesia-da-america-latina-e-as-editoras.html

Leitura de autores latino-americanos inéditos em português, lançamento de traduções e uma conversa sobre os 10 anos da editora Eloisa Cartonera (Buenos Aires) e o fenômeno das editoras “cartoneras” (que utilizam papelão na confecção das capas) são as atrações literárias desta quinta-feira (16), no auditório do Sesc Santos, a partir das 20 horas. O encontro Poesia da América Latina – Aproximações / Acercamientos será conduzido pelo jornalista e ensaísta Alessandro Atanes, deste blog, mestre em História Social, que apresentará jovens autores da cena independente no continente inéditos em português. Ele terá como convidado o poeta e editor Ademir Demarchi, que falará sobre a multiplicação deste formato de difusão do livro e da leitura.

Além das leituras, Atanes, que vem traduzindo textos do espanhol desde 2005, lança a tradução de dois livros do poeta Javier Heraud (1942-1963), ainda não publicados no Brasil:Viagens imaginárias e À espera do outono, ambos lançados postumamente, em 1964. Demarchi publica em livro dois contemporâneos até então sem edições no Brasil: Berlim, de Victoria Guerrero Peirano, peruana de Lima como Heraud, nascida em 1971, autora de 4 livros de poesia e editora da revista de cultura e política Intermezzo Tropical, que também publicou o livro originalmente em 2011; e As palavras do Rímac, sobre o rio que corta a capital peruana, do mexicano Felipe Mendoza, nascido em Sinaloa em 1968.

Os livros são publicados pela primeira editora “cartonera / catadora” da região, a Sereia Ca(n)tadora, criada por Demarchi. O primeiro livro da editora foi lançado em novembro de 2010, Vuelo de identidade / Voo de identidade(foto), de mais um peruano de Lima, Óscar Limache, também com tradução de Atanes. As capas, pintadas individualmente, foram feitas pelos dois com a ajuda do poeta Paulo de Toledo e de Carmen Brandalise, sistema artesanal que permitiu há dez anos, durante uma das mais pesadas crises que se abateu sobre a Argentina, que poetas e catadores de papel da região metropolitana de Buenos Aires se unissem. Com poemas de um lado e papel e papelão (cartón) do outro, criaram trabalho e deram assim início a essa aventura literária.

Além da obra de Limache (que, por sua vez, traduziu Demarchi e outros para o espanhol), serão lidos e comentados poemas de José Manuel Barrios (1983, Montevidéu, Uruguai), Javier Raya (1985, Cidade do México, México), Osvaldo Picardo (1955, Mar del Plata, Argentina) Leônidas Lamborghini (1927, Buenos Aires, Argentina), Liliana Cabrera (1980, Buenos Aires, Argentina), Paula Ilabaca Núñez (1979, Santiago, Chile) e Olga Leiva (1981, Lund, Suécia), entre outros autores que Atanes está traduzindo e publicando em português na internet, no sitewww.portogente.com.br, onde mantém a coluna Porto Literário, e aqui no blog Revista Pausa, nos quais também publica seus ensaios sobre as relações entre História e Literatura e uma reportagem recente sobre os 10 anos da Eloisa Cartonera.

Mais traduções – No momento, Atanes está terminando a tradução de outro livro de Limache, Viaje a la lengua del puercoespín (Viagem à língua do porco-espinho) e começa a tradução do romance Gordo, de Sagrado Sebakis, que conheceu na Feira do Livro de Buenos Aires, em maio. O capítulo final do romance, que também será lido no Sesc Santos, está também na internet.

Atanes em frente à Embaixada do
Peru em Buenos Aires

Nova Diplomacia – Além da difusão de autores que, apesar da qualidade, dificilmente seriam publicados por editoras comerciais, o contato entre Demarchi e Atanes, desde Santos, e Limache e Victoria Guerrero em Lima, além de Sebakis em Buenos Aires, entre outros, tem um aspecto além do literário, que é o de estabelecer, ainda que em pequena escala, uma “Nova Diplomacia”, conceito cunhado pelo assessor de Defesa e Diplomacia do governo Bill Clinton (EUA), Joseph Nye, aquela feita também por meio das trocas culturais, da tradução e da ação intelectual e artística. “Um exemplo, para que possamos ter uma medida, é o número de livros trocados entre Santos e Lima. Eu estimo, por baixo, uns 400 livros entre livros que eu, Ademir e Márcia Costa trouxemos de Lima em duas viagens e, responsável por mais da metade desse PIB literário, o que o Óscar Limache levou para lá. Lógico que boa parte está nas estantes de cada um, porque é tudo nossa iniciativa, mas foram livros também para as bibliotecas públicas de região, sem contar que dividimos um pouco os livros nesses encontros. Limache diz que somos a Embaixada Literária de Lima em Santos”, conclui.

O próprio poeta esteve na região em novembro de 2010 para o lançamento de sua obra em português. Não havia um mês que Mario Vargas Llosa havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura e os públicos de Santos e Cubatão puderam presenciar duas conferências sobre a literatura peruana feitas por Limache, que é também professor.

Serviço:
Poesia da América Latina – Aproximações / Acercamientos
Com Alessandro Atanes e Ademir Demarchi como convidado
Sesc Santos – 20 horas – Gratuito
Contato: Márcia Costa (13) 8126-1500 / Alessandro Atanes (13) 9137-9010

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Imagens do Sarau da Babel e de livros da Sereia lançados no Sesc Santos em 2011

http://revistapausa.blogspot.com.br/2011/06/lancamento-da-babel-poetica-e-de-livros.html

Imagens de Alessandro Atanes do lançamento do número 1 da revista Babael Poética e de novos livros da editora cartonera Sereia Ca(n)tadora, realizações do poeta Ademir Demarchi, em 18/06/2011 no Sesc Santos.

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Galeira de imagens dos livros da Sereia Ca(n)tadora

http://revistapausa.blogspot.com.br/2011/02/galeria-de-imagens-sarau-sereia.html

As fotos são do sarau de lançamento realizado no Sesc de Santos em 2011.

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Amotape Libros

Mais um capítulo de diplomacia cultural

Alfredo Ruiz Chinchay, editor da Amotape Livros, de Lima, na abertura do primeiro número da coleção Aiapæc, a edição bilíngüe de “51 mendicantos”, de Paulo de Toledo, levado ao espanhol por Óscar Limache. Leia mais sobre o projeto aqui.

Tradução Alessandro Atanes

O homem possui a si mesmo na medida
que possui sua língua.
Pedro Salinas

Amotape é um vocábulo tallán que significa “conselheiro ancião”. Este termo é usado também para dar nome a um povoado localizado no Departamento de Piura, no norte do Peru. Neste lugar, o cacique Amoxape foi queimado vivo por ser um dos primeiros índios tallán que se rebelou contra os espanhóis, e foi aí mesmo onde se radicou Simón Rodríguez, mestre e guia do libertador Simón Bolívar, aos 90 anos de idade.

Encontrar uma palavra que pudesse representar em si mesma a identidade do Peru é um completo desafio para mim. Mais complicado ainda quando desejava toma-la de alguma língua nativa de meu país. Grande surpresa nesta procura foi encontrar a palavra Amotape, que está muito ligada a meu local de nascimento, Talara.

No entanto, a identidade peruana contém um matiz mestiço alcançado graças a múltiplas culturas que habitaram nosso território e as diversas nações que nos acompanham até o dia de hoje. Foi nesse momento que decidi unir o vocábulo tallán com a palavra Livros, que representa o presente e a razão deste selo editorial.

Sem desejar, entendi que Amotape Libros devia ser uma editora com claro comprometimento com o país e com o continente. É então que chego a construir o primeiro ideal que motivaria o nome da presente coleção: revalorizar as línguas nativas do Peru sem deixar de lado o caráter mestiço que representa sua cultura.

Esta nova exploração de minha identidade relacionada ao de meu país é o que me levou a escolher a palavra Aiapæc.

Aiapæc é um vocábulo moxica que significa “aquele que faz” ou “fazedor”. Esta palavra também é utilizada para dar nome ao que se crê foi o deus que os antigos habitantes da costa norte peruana adoravam. No entanto, segundo pesquisas publicadas no recente livro de Antonio Salas García, Etimologías mochicas (2012), pode-se observar que a conclusão a que chegou Rafael Larco Hoyle para acreditar que esta palavra fazia alusão a esse deus degolador não foi de todo correta.

Agora, qual palavra em castelhano poderia acompanhar Aiapæc? A mesma que motiva o nascimento desta editorial e da coleção: Poesía, que vem do termo grego poiesis que significa “criação”.

Desejo deixar demonstrado que aqui não há nada de gratuito, que as palavras que constituem o nome do selo e da coleção foram escolhidas pensando em um projeto de revalorização da identidade peruana através de suas línguas e cultura ancestrais. É assim o projeto de estender pontes entre as culturas de nossos países vizinhos e com aqueles que se encontram em nossos continentes mediante a publicação de autores contemporâneos e clássicos, em edições bilíngues, quando for possível.

Desta forma, estimado leitor, o projeto que proponho através destas páginas (e das futuras) não é mais que um convite para empreender uma viagem ao universo da palavra e da poesia.

Alfredo Ruiz Chinchay

Referência
Paulo de Toledo. 51 mendicantos / 51 mendicantos. Edição bilíngue. Coleção Aiapæc. Lima, Peru: Amotape Libros, 2013.

FONTE:

http://portogente.com.br/colunistas/alessandro-atanes/mais-um-capitulo-de-diplomacia-cultural-78964

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Ponte Brasil-Peru

A seguir transcrição de texto de Óscar Limache sobre o projeto de trocas poéticas entre Brasil e Peru, traduzido por Alessandro Atanes.

A necessidade de construir uma ponte literária Peru-Brasil

Óscar Limache

Tradução Alessandro Atanes

A iniciatória leitura de Carlos Drummond de Andrade, nos anos 80, e o tardio descobrimento da poesia de Mário Quintana, neste milênio, me levaram até o Brasil em busca de livros, escassos ou inexistentes no Peru.

De cada viagem voltava com exemplares que dividia com velhos amigos leitores e jovens editores independentes, surpresos de que no Peru do século XXI não fossem publicadas traduções que dessem conta da alta qualidade da poesia brasileira (as últimas, editadas pelo Centro de Estudos Brasileiros, datam de mais de três décadas).

Este vazio me levou a fundar em 2006 o “Projeto Tabatinga de Tradução Literária”, que irmana peruanos que traduzem poesia brasileira e autores brasileiros a brasileiros que traduzem autores peruanos, com o fim de fomentar o conhecimento mútuo de nossas respectivas literaturas e para contribuir para a construção de uma “escola peruana de tradução literária”, que os aportes de poetas como Javier Sologuren, Ricardo Silva Santisteban ou Renato Sandoval vêm cimentando nos últimos tempos.

Produto dessa aproximação fraterna, já foram publicadas traduções de livros de Javier Heraud, Óscar Limache e Victoria Guerrero através do selo Sereia Ca(n)tadora, de Santos, Brasil, e traduções de livros de Mário Quintana e Ademir Demarchi através do Centro Peruano de Estudos Culturais, em Lima, Peru; além destas traduções que agora o selo Amotape Libros escolheu para iniciar sua aventura editorial.

Agradeço a Paulo de Toledo por ter confiado a mim a tradução de seu livros, tão cheio de piscadelas intertextuais; por sua paciência para absolver as dúvidas que me assaltaram durante o processo de vertê-lo ao espanhol, e porque com sua poesia exemplar me ensinou que, se um autor decide correr tais riscos com seus leitores, um tradutor deve corrê-los também. Graças a ele descobri que, em um mundo no qual a informação está ao alcance da mão a um clique de distância, um leitor avisado não necessita de notas explicativas se o tradutor realizou bem seu trabalho.

Agradeço a Alessandro Atanes e Ademir Demarchi por seu interesse pela cultura de meu país, pelo tempo dedicado a traduzir e difundir a obra dos poetas peruanos e por ter me permitido conhecer os poetas de Santos, dignos representantes de uma poesia de altos cumes; pelas horas de trabalho compartilhadas (em Santos e em Lima, e através da internet) para a melhor concretização deste projeto binacional e porque, quando os visito em sua terra, as casas de ambos tornam-se automaticamente a “Embaixada do Peru em Santos”.

Agradeço, finalmente, a Alfredo Ruiz, editor novato e nobre amigo, por acolher em sua recém estreada casinha de Amotape a materialização destes esforços e por acreditar na necessidade de seguir construindo, de um e do outro lado da fronteira, essa ponte de palavras.

FONTE:

http://portogente.com.br/colunistas/alessandro-atanes/a-necessidade-de-construir-uma-ponte-literaria-entre-peru-e-brasil-79150?fb_action_ids=3438767664186&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%223438767664186%22%3A1388295281401963%7D&action_type_map=%7B%223438767664186%22%3A%22og.likes%22%7D&action_ref_map=%5B%5D

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Poetas do Peru!

Durante a Semana Peruana, que acontece em Santos até o dia 5, com consulado itinerante e irmanamento com a cidade portuária de Callao, haverá também o lançamento de livros de autores peruanos traduzidos por dois santistas.

No dia 5, quinta-feira, a partir das 19 horas, em solenidade no Teatro Municipal, a editora artesanal Sereia Ca(n)tadora lança mais três obras de seu catálogo de escritores latino-americanos: “Ao nosso pai criador Túpac Amaru”, de José María Arguedas, e “Duas Tradições Peruanas”, de Ricardo Palma, ambos traduzidos por Ademir Demarchi, e “Espinhos do Porco-Espinho”, de Óscar Limache, com tradução de Alessandro Atanes. Além disso serão relançados outros títulos da série

A abertura da noite é com a exposição fotográfica “El Corazón del Puerto”, com 29 fotos expostas de autoria do fotógrafo José Chuquiure (a exposição permanece de 5 a 12 de setembro), seguida por apresentação de músicas e danças peruanas. Leia mais na página do evento: https://www.facebook.com/events/237067426440235/

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